Conferência Paulo Martins: Henrique Sampaio denuncia a captura da Autonomia pelas elites

Henrique Sampaio afirmou, este sábado, na Conferência Paulo Martins, no Funchal, que a Autonomia da Madeira deve ser entendida como “o direito de decisão do povo madeirense” e não como “o direito de escolha do governo regional”. Na intervenção, o antigo deputado à Assembleia Legislativa da Madeira defendeu que a autonomia tem de ser “por inteiro”, ao serviço da democracia, da justiça social e do desenvolvimento regional.

O, também, antigo jornalista do jornal Comércio do Funchal, sustentou que a Autonomia “não é nunca” uma defesa do governo regional, mas sim uma afirmação do poder de decisão dos cidadãos da Madeira. Alertou ainda que certas opções políticas do executivo podem contrariar o “sentido profundo da Autonomia”, sem que isso justifique recuos no aprofundamento do regime autonómico.

O orador enquadrou essa posição num apelo à transparência e ao rigor, sublinhando que a Autonomia deve servir o povo e combater dinâmicas de atraso e desigualdade. Associou essa leitura ao legado de Paulo Martins, destacando o seu percurso, os textos que deixou e as intervenções públicas que realizou.

Na mesma intervenção, Henrique Sampaio abordou o momento político e social atual, referindo o aumento das desigualdades, o custo de vida e as tensões internacionais, com menções à Venezuela, aos Estados Unidos e à guerra no Médio Oriente. Defendeu que as lutas pela Democracia, em cada região, também são lutas pela Paz e pela sensatez.

O antigo deputado criticou ainda o que considerou ser a prioridade dada a campos de golfe em detrimento da habitação e alertou para sinais de irregularidades nas relações financeiras entre o Governo Regional e as IPSS, evocando notícias sobre uma eventual investigação do Tribunal de Contas. 
Na parte final, Sampaio rejeitou uma visão saudosista do passado e afirmou que as lutas de ontem devem servir de inspiração para novos caminhos. Defendeu uma política baseada na solidariedade, na cooperação e na valorização de quem trabalha, concluindo que a Democracia existe para garantir que os trabalhadores possam dirigir o seu próprio futuro. 

A intervenção terminou com uma referência à importância das conferências Paulo Martins como espaço de reflexão e debate sobre a autonomia, a democracia e o desenvolvimento da Madeira.