Acantonamento Jovem "Autonomia" encerrou neste domingo na Madeira

A posição foi assumida no encerramento do acantonamento “Autonomia”, na freguesia do Arco de São Jorge, no concelho de Santana. Durante a intervenção, Francisco Pinto começou por agradecer o apoio do Bloco de Esquerda e o trabalho da equipa responsável pela organização da iniciativa, dirigindo igualmente uma palavra de agradecimento à Câmara Municipal de Santana pela cedência das instalações onde decorreu este evento.
A celebração dos 50 anos de autonomia política da Madeira serviu de ponto de partida para uma reflexão sobre o futuro da Região. Sob a pergunta “autonomia para quem?”, o dirigente bloquista criticou o caráter, na sua perspetiva, demasiado institucional de algumas comemorações e defendeu que os jovens devem ter um papel ativo no debate sobre os próximos 50 anos. “A autonomia que não consegue garantir uma habitação digna aos seus jovens não é uma autonomia completa”, afirmou Francisco Pinto, que apontou também as dificuldades enfrentadas pelos estudantes madeirenses obrigados a sair da Região para prosseguir os estudos.
Habitação e emigração jovem
O coordenador dos Jovens do BE Madeira considerou que o elevado custo da habitação, as despesas associadas à frequência universitária no continente e a precariedade laboral estão a limitar as escolhas das novas gerações.
Francisco Pinto defendeu uma Região onde os jovens possam estudar, trabalhar e constituir família sem serem obrigados a abandonar a Madeira. “Dizem-nos que a Madeira tem futuro, mas mandam os jovens para o continente”, declarou, questionando como podem os jovens permanecer na Região se, segundo afirmou, são “obrigados a partir”.
O dirigente bloquista criticou ainda as prioridades políticas do Governo Regional, liderado por Miguel Albuquerque, acusando-o de privilegiar grandes investimentos e interesses económicos enquanto persistem dificuldades no acesso à habitação e no custo de vida.
Na intervenção, Francisco Pinto criticou igualmente as propostas de alteração da legislação laboral e as decisões tomadas na área da educação, nomeadamente no âmbito dos exames, que considerou terem causado consequências na vida de milhares de jovens.
Para o responsável, a mobilização estudantil, sindical e dos trabalhadores demonstrou que a organização coletiva pode travar decisões políticas consideradas prejudiciais. Defendeu, por isso, que a juventude não deve ser chamada apenas a votar de quatro em quatro anos, nem utilizada como elemento figurativo em campanhas eleitorais.
“Não queremos ser figurantes, não queremos ser fotografias em campanhas eleitorais”, afirmou, sublinhando que os Jovens do Bloco de Esquerda pretendem promover debate, informação, convivência e participação política.
“Construção política”
Francisco Pinto classificou o acantonamento como “um espaço de construção política” e de reflexão sobre o futuro da Madeira. Segundo o dirigente, a iniciativa permitiu criar laços entre jovens de diferentes localidades e experiências, unidos pela vontade de transformar a sociedade.
No encerramento, afirmou que os participantes levam do encontro “ideias, amizades, debates e vontade de construir a luta”, rejeitando que os próximos 50 anos sejam uma repetição do passado.
“Os próximos 50 anos começam agora e nós estamos na linha da frente”, declarou Francisco Pinto, que reivindicou para os Jovens do BE Madeira o papel de representantes da “verdadeira esquerda autonomista” da Região.
A freguesia do Arco de São Jorge integra o concelho de Santana, na costa norte da Madeira.