REDE na Madeira: cuidados não são um negócio

A pressão hospitalar na Madeira é estrutural: os internamentos aumentam, a referenciação para a Rede de Cuidados Continuados Integrados (REDE) fica aquém e as altas complexas retêm parte significativa das camas disponíveis. São sobretudo as pessoas idosas as mais afetadas. Este é um problema de continuidade de cuidados e de respostas sociais insuficientes. Sem respostas sociais de cuidados continuados, o hospital absorve tudo e responde a menos. 

Neste contexto, sobressai a Associação Living Care, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) fundada em 2015. Em setembro de 2025, o Governo Regional aprovou um contrato‑programa de 19.055.494,40 €, por 36 meses, para uma Unidade de Longa Duração e Manutenção integrada na REDE. Este contrato-programa gera legítimas dúvidas públicas: a concentração de financiamento numa entidade privada, em contexto de escassez, alimenta perceções de oportunismo e apropriação indevida de fundos públicos.  

A solução não é apostar tudo num único prestador, mas sim expandir a REDE, reforçar camas de longa duração e diversificar operadores, com escrutínio apertado do uso de fundos públicos e avaliação por resultados. Só assim se aliviará a pressão hospitalar e será garantida uma proteção efetiva dos idosos. 

Mais capacidade, sim — mas capacidade que funciona: plural, transparente e avaliada. Só assim libertamos camas hospitalares, garantimos altas seguras e protegemos, com dignidade, quem mais precisa.