Moção A: "Um Bloco de transformação"

Moção A

Um Bloco de transformação

(Esquerda Alternativa)

Camaradas, vivemos uma das mais frágeis épocas dos nossos tempos, talvez a mais frágil após 25 de Abril.

Vemos uma sociedade completamente dividida e funcionando como uma esponja absorvente de informação, seja ela verdadeira ou falsa. Um tempo em que uma palavra dita ou não dita pode causar o caos na mente das pessoas, em que um acontecimento muda tudo de um dia para o outro e que tudo se sabe de uma forma mais rápida e por vezes pouco verídica.

Vivenciámos de um lado a insatisfação política das pessoas com as abstenções nas eleições, e denote-se que no passado ano tivemos três atos eleitorais, do outro lado tivemos na maioria daqueles que exerceram o seu direito de voto, um medo de mudança, um medo do novo.

É de nossa obrigação enquanto políticos e militantes, perceber a nossa sociedade, entender os sinais que nos são transmitidos e estar à frente do tempo para saber como as coisas se vão desenrolar. Temos de perceber como incluir os que se mostram descrentes na política. Precisamos de incentivar para um constante de avanço da mentalidade da nossa sociedade, mesmo que este pareça impossível de alcançar.

Sabemos bem que este sistema montado e apresentado como alternativa ao fascismo não resultou nem irá resultar e está em decadência profunda. Temos exemplos do Brasil, Estados Unidos, entre outros, e mesmo assim há quem pense que perdurará por muito mais tempo. A verdade é que tal sistema capitalista se encontra em fim de vida, sobrevivendo numa solução de “coma induzido” tal como a mente das pessoas se encontra neste momento.

Por se encontrar em fim de vida, mais tarde ou mais cedo outro irá surgir, mas para isso precisamos de estar preparados, mostrar que o estamos e preparar as pessoas para tal situação.

Ninguém sabe os próximos tempos que virão e para que não seja o regresso ao passado, como já vamos tendo exemplos pelo mundo fora, precisamos de mostrar que somos capazes de construir algo novo. Conseguimos usar este sistema de forma a que sirva cada vez mais os interesses da população e nos prepararmos para uma transição mais suave para o próximo sistema.

Não sabemos como e quando irá acontecer, mas há que estar preparado para tal situação.

O fim do capitalismo para nós camaradas seria uma vitória, e o será certamente no futuro.

 

No nosso caso concreto cá na região, temos 45 anos de um mesmo partido político no poder. A realidade da nossa região vem do tempo da ditadura para o tempo de uma democracia disfarçada, que vai perdurando ao longo do tempo que enfraquece, mas parece não terminar. A verdade é que a maioria dos madeirenses e porto-santenses tiveram e têm uma mesma mentalidade desde o antes 25 de Abril e muito pouco ou nada ela mudou. A pouca mudança verificada encontra-se no desenvolvimento que houve e o acesso à informação que as novas gerações foram adquirindo ao longo dos tempos, usando isso como armas de divulgação, luta e tentativa de transformação de uma sociedade doente e refém de interesses de um regime.

Nós Bloco de Esquerda devemo-nos perguntar nestes tempos o que faltou? Porquê cada vez que tentamos mudar algo a coisa corre mal? Porquê que chegamos de tempos a tempos a um poço sem fundo, mesmo sem muitas vezes conseguir manter-nos a boiar na tona da água?

A resposta a essas perguntas está à nossa frente. Temos Chega, Iniciativa Liberal, entre outros, temos também taxas altas de abstenção e temos uma parte dos insatisfeitos a votarem sempre os mesmos. E o porquê disso?

Porque não existe um partido que se destaque. Não existe um partido que se mostre diferente. Não existe um partido que transmite confiança às pessoas. Existem sim cada vez mais, partidos que criticam e deitam abaixo, que têm soluções bizarras ou então que demonstrem mudar, mas com as mesmas armas e formas de falar utilizadas a cada eleição nos diversos anos que estas ocorrem.

Com isto surgem novos partidos que se mostram antissistema, dizendo o que as pessoas querem ouvir e aproveitando-se das tais mentes fracas para fazer lavagens cerebrais à população.

Não estamos a dizer que no passado as pessoas pertencentes a esta estrutura fizeram pouco ou mal, antes pelo contrário, fizeram aquilo que naquela altura poderiam e deveriam fazer face aos recursos existentes, mas hoje nós temos mais e melhores ferramentas e conhecimentos para avançar e mostrar que sim realmente temos soluções para o futuro do povo, povo esse que também pertencemos com grande orgulho de o ser.

Nós Bloco somos e devemos sempre ser povo e não nos envergonhamos por tal facto, mas o passado ficou para trás e devemos sim pensar no futuro.

Queremos sempre mais para as pessoas, mais igualdade, mais equidade, mais justiça, mais poder de compra, mais liberdade, mais saúde, mais ensino, mais informação, mais inclusão, mais autodeterminação, etc. Queremos mais e temos de continuar a querer sempre mais, sem qualquer arrependimento daquilo que lutámos até hoje, temos sim de ter orgulho do que fizemos de bom e de mal, porque em ambos aprendemos e crescemos, e com isso demos o passo em frente.

Temos de ir ao encontro das pessoas, perceber as suas cabeças confusas e tentar encontrar caminhos alternativos para seguir. Temos de ser solução e não mais uma parte do problema. Temos de ser revolucionários seguros, com soluções e alternativas viáveis de resolução de conflitos. Temos de ser um partido que como Francisco Louçã um dia falou, preencher o seu lugar, deixado vazio na esquerda em Portugal. Temos de transmitir as nossa ideias de uma forma clara e concisa, mostrando-se e sendo capazes de utilizar a nossa ideologia de uma forma útil à sociedade.

Por isso esta é a hora certa para uma reformulação deste partido, mantendo-se as suas bases de existência, mas mais desenvolvido. Está na hora deste partido crescer e avançar para um futuro seguro, mas realista, e para construção de um projeto político que promova uma sociedade com bases mais firmes e sólidas de futuro.

Está na hora de mostrar ser uma real alternativa de governo, capaz de remover as muralhas que separam os diferentes extratos sociais mantendo presentes a liberdade de cada pessoa e tudo aquilo que aos poucos fomos conseguindo com muita luta e determinação. De mostrar capacidade de diálogo responsável e coerente, e contruir pontes de comunicação que nos permitam avançar nos importantes pontos da nossa vida dia-a-dia. De ter um discurso coerente que as pessoas percebam e que vá de encontro à resolução dos assuntos pendentes de cada cidadão/a.

A construção de algo grande e transformador, parte do pequeno, por isso temos de reunir todos os e as possíveis e aqueles que parecem ser impossíveis, mas não o são, em torno de um projeto com perspetivas de um futuro mais estável e seguro para todos e todas. Um projeto pensando com organização, determinação, entrega e um real sentido revolucionário de transformação. Um projeto de união e de bases firmes que englobe a natureza e sociedade num todo, que sirva para que todos e todas sejam valorizados sem se sobrepor de forma alguma. De um futuro em que todos tenhamos qualidade de vida e deixemos para as próximas gerações bases verdadeiramente sólidas e duradoras.

T de tudo, todos/todas e transformação.

Tudo é importante, todos e todas são importantes, transformação é necessária.

 

 

Plano Estratégico e Político

Como referido anteriormente há que voltar às bases. Perceber, de uma vez por todas, realmente o propósito da criação deste movimento é reformular. A união registada entre as diferentes tendências em prol de um projeto comum, deve sempre ser prioridade, por isso há que começar a pôr de parte os interesses pessoais de cada camarada e construir um plano concreto, realista e futurista.

Temos de ter uma liderança forte, ambiciosa e determinada. Com uma clareza e transmissão fidedigna do nosso projeto político e daquilo que queremos para a sociedade que vivemos. Um líder forte e responsável na gestão dos recursos existentes, bem como um grupo de trabalho e militantes com entrega total ao trabalho necessário para fazer reerguer este partido.

Existe então a necessidade de diálogo constante entre nós, independentemente das divergências existentes. Essas divergências devem ser usadas sim como algo de positivo na criação de propostas internas, novas ideias de ação e a construção mais segura de um plano estratégico e político para o nosso partido.

Temos de nos ouvir uns aos outros, de dar ideias, de ser interventivos e de nos apoiarmos como uma estrutura sólida pronta para se apresentar ao eleitorado de uma forma simples e objetiva. A opinião de cada camarada deve ser sempre respeitada, mesmo que não seja aquilo que outros queiram ouvir, pois são nas situações de diálogo em que várias cabeças pensantes mostram as suas ideias, que nascem boas propostas de ação.

Para isso, cada um de nós deve fazer uma autoavaliação própria daquilo que quer para si, para a sociedade e para o partido, e com isso começar a adotar a devida postura que achar melhor para o seu bem-estar e de todos/as.

  1. Propomos uma reunião mensal quer da comissão política ou da comissão coordenadora, de forma a haver um acompanhamento mais próximo das situações emergentes. Essas reuniões devem ser sempre acessíveis a todos/as com base nos estatutos existentes no partido, e em hora e local benéfico para os intervenientes das mesmas.
  2. Propomos uma reformulação dos estatutos do partido, quando necessária, de forma a fomentar a inclusão, igualdade e equidade dos nossos militantes, respeitando sempre os estatutos nacionais que o nosso partido se rege.
  3. Propomos também uma maior comunicação entre os autarcas eleitos e a direção do partido de forma a acompanhar e saber o trabalho a ser desempenhado nas autarquias. A mesma deve ser feita de forma mensal ou trimestral, com base na necessidade de tal acontecimento.
  4. Propomos a realização, no mínimo, de duas assembleias de aderentes anuais de forma a sentir o pulso dos/das militantes de uma forma mais corrente e com grande acessibilidade para todos. Essas assembleias devem ter horário e data acessível por todos/as e poderão ser feitas em sede própria ou mesmo fora, consoante a disponibilidade demonstrada.
  5. Propomos a reativação da coordenadora jovem do partido, convocando novas eleições e após eleita, tentar cativar cada vez mais jovens. Essa coordenadora deve também reunir-se mensalmente com a direção do partido para elaborar planos de ação e para um acompanhamento e apoio constante do trabalho desenvolvido.
  6. Propomos também uma maior distribuição/delegação de tarefas e competências dentro do partido, com liberdade de ação dos intervenientes e cumprindo com os estatutos e ideologias do partido.
  7. Propomos criar mais debates, com uma maior frequência, tendo em conta os assuntos mais alarmantes da sociedade (violência doméstica, drogas, sexualidade, sistema político, liberdade de expressão e pensamento, direitos e deveres, autonomia, economia, política, etc.), convidado pessoas fora do partido e acreditadas nas diferentes áreas em questão para essa partilha de conhecimento. Esses debates políticos e não só, devem ser feitos nos diversos concelhos da região e de forma a cativar o máximo de participantes. Devemos de falar de política sem medos, e de educar para uma inclusão maior da sociedade na política, principalmente com os jovens pois eles serão o futuro.

 

Falar de política não é falar apenas do bloco de esquerda, há que clarificar o que é e para que serve a grande arma que a democracia nos dá, que é o voto. Essa clarificação deve ser dada indo de encontro às pessoas e jovens nos diversos pontos da região, falando da política no seu todo, como políticos e não apenas como militantes de um partido.

Devemos também transmitir a verdadeira mensagem do que é este partido, de forma a clarificar a imagem que é dada ao partido por parte da sociedade, a ideologia partidária, mas também atrair os imensos insatisfeitos com a política mostrando a importância do voto e o porquê de o fazer. É hora de levar o bloco para a rua durante todo o tempo e não apenas em altura de eleições.

Temos de fazer as perguntas certas à população. Saber quais são as suas aspirações, os seus problemas e sermos mais um/uma cidadão/cidadã da nossa sociedade. Percebermos o porquê de não sermos na mesa de voto aquilo que lutámos sempre para ser, o partido do povo para o povo.

Temos de ser iguais a todos/as e nunca ser superiores ou ter um discurso de difícil compreensão e de distanciamento. Não somos mais nem menos que os outros e isso deve sempre ficar claro na nossa conduta política dentro e fora do partido. Para sermos respeitados devemos sempre respeitar, e discursos de bota abaixo e de ódio não podem nem nunca poderão fazer parte de um partido como o nosso. Todos/as erramos e com esses erros evoluímos e aumentamos as nossas aprendizagens.

 

Devemos mostrar também o porquê de merecermos o seu voto. As nossas lutas que tivemos e continuaremos a ter de igualdade e equidade de direitos, anticorrupção, pela verdade política, pela lealdade política para com a sociedade, etc. Necessitamos de mostrar de uma forma mais clara que somos o partido do povo, orgulhamo-nos de o ser e continuaremos sempre a ser, por isso merecemos a sua confiança e o seu voto.

  1. Propomos que a ligação quase inexistente, volte a ser retomada com os sindicatos e associações que promovam o equilíbrio social e a obtenção de direitos para todos/as. É de extrema necessidade lutar ao lado de quem luta para o bem-estar das pessoas e para o aumento de rendimentos e qualidade de vida dos mesmos.

 

Precisamos de criticar de uma forma construtiva e responsável, aquilo que de mal ao longo dos 45 anos de autonomia fomos identificando, mostrando qual o verdadeiro caminho a seguir e quais as soluções que encontramos para que tal não aconteça ou para resolver o que de mal foi feito. Mostrar que somos capazes de fazer melhor, ser melhor e apresentar as ferramentas/propostas para demonstrar que é verdadeira a nossa mensagem.

Não devemos fomentar um discurso de maioria e minoria, mas sim construir pontes de diálogo entre os diversos quadrantes da sociedade para que possamos ter uma sociedade junta e não separada. Todos/as temos de ser juntos uma só maioria, juntamente com todo o meio ambiente. Para isso precisamos de promover comportamentos adequados e repensados de forma a não prejudicar qualquer ser vivo do nosso habitat, adotando hábitos e comportamentos responsáveis em todas as nossas ações a desempenhar.

Devemos sim preencher o lugar que os novos partidos extremistas estão a preencher, utilizando um discurso populista. Não podemos deixar que tais partidos contaminem a cabeça das pessoas com falsas promessas e informações. Esses sim são os inimigos de todos os princípios da democracia e por isso nossos principais adversários. A direita conservadora e até fascista que se quer implementar na política do nosso dia-a-dia não pode sair vitoriosa, para isso há que mostrar realmente que isso não será benéfico para a nossa sociedade e mostrar qual o caminho certo a seguir, defendendo políticas de interesse comum.

A nossa prioridade é e deve sempre ser, cada vez mais, uma alternativa fiável de governo no futuro, com confiança, preparação e capacidade de gestão.

Necessitamos de ter intervenções frequentes sobre os diversos assuntos que aparecem diariamente, mostrando soluções e o nosso ponto de vista sobre os mesmos. Saber ouvir todas as pessoas e saber falar a verdade daqueles que são os nossos pensamentos, sem rodeios nem medos.

Teremos de começar a preparar desde de já as próximas eleições autárquicas de 2021 fazendo um plano de ação e de visita a todos os concelhos da região. Perceber qual o caminho certo a seguir seja ele com listas próprias, seja com coligação. É de extrema importância concorrer a todos os concelhos nas mesmas eleições.

 

  1. Propomos a manutenção do apoio à coligação Confiança na Câmara Municipal do Funchal até ao fim do mandato e um começo desde já de diálogo com os autarcas eleitos quer nas assembleias de freguesia, quer na assembleia municipal, de forma a perceber se o trabalho que foi desempenhado foi positivo ou negativo e se existe uma possibilidade de repetir esse mesmo apoio em 2021. Caso essa perspetiva seja válida, devemos logo que possível incitar conversações com os interlocutores de forma a obter a melhor proposta viável para o partido, mas também para a sociedade. Obviamente tal proposta deverá ser sempre apresentada e aprovada ou não, em assembleia de aderentes. A mesma será transmitida de forma clara aos militantes, para que possam tomar a decisão de forma esclarecida. Existindo também possibilidade de existir uma mesma coligação fora do concelho do Funchal, a mesma também deve ser pensada e bem elaborada, sendo apresentada à assembleia de aderentes como a anterior.

Salienta-se que nunca deve ser posto em causa, qualquer comportamento contra a ideologia e estatutos do partido, seja de coligação ou de lista própria. O mesmo irá ser sempre respeitado em qualquer reunião/encontro e está acima de qualquer coisa. Por isso em qualquer acordo efetuado, a liberdade ideológica e de ação será ser sempre uma ferramenta imprescindível.

Posto isto, deve ser dada uma clara prioridade a criação de uma lista própria em todos os concelhos da região com todos/as que se revejam nos valores do Bloco do Esquerda.

Durante este tempo devemos também com as nossas diversas ações, cativar mais militantes e simpatizantes, sangue novo para o partido para que também possamos nos apresentar mais fortes para o embate importante que temos pela frente.

 

  1. Propomos o começo da criação de núcleos nos diversos concelhos da ilha para fomentar a solidez partidária. Esses núcleos ajudarão ao trabalho de campo necessário e terão acompanhamento/apoio da direção do partido a todo o momento.

 

Necessitamos de união para o crescimento sustentável do nosso partido e com isso contamos com todos os militantes e simpatizantes. Temos de fazer política positiva e construtiva para o bem-estar e qualidade de vida da nossa sociedade e para o nosso também. Vamos em frente com confiança e ambição.

 

Lista de candidatos e subscritores desta Moção:

 

Tiago Camacho

João Teixeira

Carla Cardoso

Carlos Andrade

Dino Pereira

Miriam Martins

Carlos Faria

Aleixo Camacho

Lucinda Silva

Rafael Pereira

João Correia