Quando os 'cubanos' descobrem a Autonomia

A “Autonomia” acabou, não a da Região (ainda bem!), mas sim o acantonamento dos Jovens do Bloco Madeira subordinado às questões da Autonomia. Como um dos organizadores, mas acima de tudo, um dos participantes, venho aqui vos dar os meus cinco cêntimos e dizer o que foi, como foi, mas acima de tudo, o que ficou cá dentro, desde as novas amizades até todas as informações que os painéis me deram.

O acantonamento começou, não oficialmente, quinta-feira, com a chegada de alguns camaradas à nossa bela ilha, porque sim, nesta edição do acantonamento “Autonomia”, organizado também pelo The Left, conseguimos trazer camaradas de fora da ilha para participarem na atividade! E depois de verem um pouco a região central de Santana fomos com eles para o Arco de São Jorge, onde o acantonamento, pela segunda vez, ocorreu. E depois de algumas arrumações e varrimentos foi hora de começar a decorar a casa, que ficou, modéstia à parte, muito bem decorada, um visual upgrade comparativamente ao ano passado (com grande mérito do Francisco, grande mente por detrás da decoração)!

Já na sexta-feira foram começando a chegar novos camaradas, e os detalhes finais de decoração e arrumação feitos, para que então ao início da tarde a atividade pudesse começar de maneira oficial, e após uma curta sessão de abertura pudemos desfrutar finalmente da segunda edição do “Autonomia”, começando com uma atividade repatriada do ano passado, o Peddy Paper, organizada também pelo Francisco, foi uma atividade muito importante para nos conhecermos uns aos outros e formar as bases de convivência necessárias para o bom funcionamento da atividade! E esta atividade foi também um sucesso entre os participantes que não só ficaram a conhecer melhor os seus camaradas, como também um pouco da área do Arco de São Jorge! E não é para me gabar, mas o meu grupo definitivamente ganhou aquela atividade.

Posterior a este início, ainda na sexta, foi hora de um painel interessantíssimo “Imigração e Emigração: Articulações Improváveis”, onde Artur Ramos e Andreia Galvão nos levaram a entender muito melhor estes fenómenos de uma maneira mais simples e ilustrativa. Ainda nesse dia houve tempo para a minha intervenção “A Esquerda e a Ciência” onde durante quase duas horas tentei quebrar tabus sobre a ligação entre estas duas áreas, tendo este meu painel a aparição de alguém muito especial, o senhor Presidente da Câmara Municipal de Santana, Dinarte Fernandes, que pôde ouvir um pouco sobre o tema. E com os painéis acabados foi tempo para mais um convívio antes de irmos dormir.

Já no sábado o dia começou com o “Parlamento do Arco” onde cada equipa, as mesmas do Peddy Paper, interpretaram partidos políticos criados na atividade do dia anterior, gerando assim uma roda de debate descontraída e bem-humorada. Mais para a parte da tarde tivemos a oportunidade de ouvir sobre a polémica dos exames nacionais, da parte de Santiago Carrilho e Raul Noetzold, alunos do secundário e figuras muito importantes de oposição ao ministro da educação; seguido deles, ouvimos Emma Fourreau, deputada da França Insubmissa, que, embora não tenha conseguido comparecer presencialmente, esteve presente de maneira digital para nos elucidar sobre “A Europa e a Guerra”. E para finalizar o dia foi hora de Francisco Pinto nos propor uma interessante, e acima de tudo importante, discussão “Como Lutar sem Poder”, tema que nos deixou em debate até depois do sol se pôr, e percebermos que talvez fosse melhor ir descansar para outro dia que aí vinha.

Acabou então a atividade no domingo, mas não sem antes um momento lúdico com “Quem Quer Ser Socialista”, atividade composta por diversos quizzes que desafiaram os conhecimentos dos nossos participantes, seguida então de uma das discussões mais aguardadas do acantonamento, onde Dina Letra e Roberto Almada nos falaram dos “50 Anos de Autonomia”, um painel interessante para todos, mas sobretudo para os nossos continentais de visita, que tiveram a chance de ouvir das melhores bocas sobre a realidade madeirense e todos os desafios enfrentados no dia a dia da ilha! Foram umas boas horas de conversa e discussão sobre o tema, até que chegou a hora mais triste do acantonamento, a hora de acabar, e assim, ao fim da tarde de domingo, foi feita a Sessão de Encerramento da segunda edição do acantonamento “Autonomia” (minto aqui ligeiramente, pois durante o fim do dia de domingo e o dia todo de segunda-feira aproveitámos para passear um pouco com os Cubanos, tanto nas redondezas do Arco quanto mais longe, para lhes mostrarmos mais algumas paisagens desta bela ilha).

Será, espero eu, escusado dizer que a atividade foi mais do que um sucesso! Para os continentais foi uma experiência única de interagir com uma terra tão parecida, mas ao mesmo tempo tão diferente daquela a que eles estão habituados; já para nós, madeirenses, foi uma ótima forma de ganhar novas armas políticas, tanto no sentido de conexões quanto de informações. Sendo esta a segunda edição da atividade, não me parece que vá ser a última; pelo contrário, parece-me ser uma daquelas atividades que marcam e se perpetuam no tempo, e, com sorte, com cada vez mais participantes e experiências, sem nunca perder o grande foco da coisa, a procura pela mudança, um futuro com o Bloco.