O Bloco está no poder! E agora?

Ainda hoje falava com um amigo, bem menos à esquerda que eu. A conversa lá se virou para a política e logo começou: “Oh, não é como se vocês fossem conseguir fazer grande coisa se estivessem no poder”. Até aí uma afirmação que já ouvi diversas vezes. Mas veio com um desafio interessante: “Então diz-me lá, se fosse o Bloco com maioria absoluta na Madeira o que acontecia?”. Não sou de fazer futurismos, mas desta vez vou aceitar o desafio!

Antes de mais nada, meu caro leitor, concordamos que esta parece, e é, uma realidade distante, nem por isso deixa de ser um exercício mental interessante. Imaginar o bastião laranja do PSD a cair depois de 50 anos, e no lugar erguer-se uma nova etapa da política regional, com o Bloco ao volante, mudando desde logo a trajetória que o PSD tinha traçado.

Irias notar mudanças logo no acender das luzes, a crise da habitação seria dos primeiros problemas a serem batidos, limitando e restringindo licenças para novos ALs, não proibindo o investimento na área da habitação, mas impondo que no mínimo 25% dos novos fogos autorizados sejam destinados a compra a custos controlados, e, seguindo a recomendação da união europeia, controlar as rendas para que se evite a exploração por parte de senhorios! Num geral o que isto significa? Que com o Bloco, poder ter uma habitação digna não ia ser apenas um sonho, seria o mínimo!

Para além disso iriamos fazer os vossos impostos valerem a pena, porque se é para pagarmos o que pagamos, que seja para os serviços serem de qualidade! Começando pelo fim do modelo empresarial do SESARAM reintegrando a gestão do hospital na administração pública, criando concursos públicos mais atrativos e melhores condições de trabalho atraindo e contratando mais médicos para o público, o que é essencial para oferecer aos madeirenses o cuidado médico necessário, e acabar com os tempos de espera absurdos que são a normalidade no Hospital Dr. Nélio Mendonça! Ainda no que toca a fazer os impostos valerem a pena, olhamos para os transportes públicos, um meio essencial para muitos, de todas as idades, se deslocarem dentro da ilha, a gratuitidade para jovens e idosos já é um começo, mas queremos expandir esta gratuidade, fazendo-a chegar a todos os residentes da ilha, tornando a livre circulação de pessoas pela ilha uma realidade!

Mas e o turismo?! Talvez se note que o Bloco no poder não faria as suas políticas direcionadas a quem nos visita uma vez por ano, mas sim a quem trabalha ano após ano para que a ilha prospere, mas isso não quer dizer que somos contra ele, apenas que o modelo massificado atual não é sustentável, e que basear a nossa economia nisso não é saudável para o nosso desenvolvimento! E se há uma garantia que podemos dar é que connosco no poder a nossa cultura natural virá antes de qualquer projeto turístico!

No fim, nós governaríamos para o Madeirenses, não para nós, não para amiguinhos, mas para a população, não vamos favorecer duas ou três famílias que têm a Madeira nas mãos há décadas, mas sim as mais de noventa mil famílias que residem na região, que favorecem não com cortes fiscais nas grandes empresas nem de vendas de edifícios públicos ao privado, mas sim com serviços públicos de qualidade, que reflitam os impostos pagos, favorecem de um conjunto de direitos laborais maiores, fator que os torna mais felizes e produtivos, favorecem de um governo que olhe para eles como seres humanos, e não fontes de lucro! Favorecem de um governo totalmente diferente do atual, de um governo do Bloco!

 “Ah, mas isso é impossível! Devem achar que o dinheiro cai do céu!”, é uma frase muito comum que se ouve quando começamos a dizer as nossas propostas, e não censuro quem o diz, afinal durante os últimos 50 anos fomos ditos uma e outra vez que propostas deste tipo são utópicas. Mas claro que nos querem fazer acreditar nisso, pois só assim podemos olhar para o que acontece agora e achar que não dá para fazer melhor! Mas não é utópico nem impossível, há várias formas, não mágicas nem milagrosas de arranjar o capital necessário para pôr em andamento estas propostas, começamos pela taxação de grandes fortunas, que, e é importante dizer, provavelmente não há de afetar nenhum dos leitores deste artigo, e mesmo que afete, 1,7% em cima de três milhões de património é irrisório para o taxado, mas mais que valioso para o Estado, e consequentemente para a população. Para além disso se o estado reduzir benefícios fiscais a grandes empresas é possível ter mais dinheiro nos cofres do Estado, para poder investir no povo e em pequenas e médias empresas, que são o coração da economia madeirense!

Então, ao meu caro amigo, nós faríamos muitas coisas no poder, e muitas coisas diferentes do que os Madeirenses foram habituados! E mesmo que estes futurismos possam não ser exatamente o que aconteceria, são a base das nossas ideias, e iriam incomodar muita gente, que tentaria dia e noite mandar a baixo o que estaríamos a construir, mas aí está a vantagem de governar para o povo e não para os amigos, é que o povo é a maioria, e com o povo do nosso lado não basta derrubar-nos do poder, vão ter também de derrubar toda a população, que a esse ponto terá a prova de que uma realidade melhor do que a que vivemos é possível, e que qualquer um que diga o contrário não luta por eles, mas contra!