Por um “Parlamento dos Jovens” que chegue a todos

A política é chata, não há nada a ganhar dela, aconteça o que acontecer saímos sempre a perder. Esta é a opinião de muitos jovens, e não vou mentir, era também a minha durante muito tempo, algo que mudou apenas a meio do meu secundário, em grande parte devido às minhas participações naquele que considero o melhor projeto de educação cívica e política em Portugal para a juventude, o Parlamento dos Jovens!

Participei ativamente do projeto do meu sétimo ao décimo segundo ano. Inicialmente, via-o apenas como um local onde podia ir debater ideias, sem pensar muito no que elas implicavam, algo mais gladiador. Mas com o tempo fui amadurecendo, percebendo que, mais do que qualquer coisa, o Parlamento dos Jovens é um local onde podemos expor as nossas ideias sobre temas da atualidade, não defendendo cegamente ideias que me puseram à frente, mas criando cuidadosamente as medidas, tentando defendê-las ao mesmo tempo que vendo a beleza de outras ideias. A beleza do Parlamento dos Jovens é aprender a fazer política, não debater por debater. E quando percebi isso, toda a atividade tornou-se muito mais gratificante! Inclusive, foi graças ao Parlamento dos Jovens, e a esta minha mudança de paradigma, que conheci um grande amigo meu, principal responsável por eu estar hoje no Bloco a escrever para vocês.

Mas ainda assim é triste que eu tenha precisado de uma atividade extracurricular para poder entender e me apaixonar pela política. E, por melhor que a atividade seja, a verdade é que não chega a todas as escolas, muito menos a todos os alunos, tendo, inclusive, o número de escolas secundárias a participar no evento diminuído significativamente nos últimos anos! Talvez esteja na hora de introduzir nas escolas planos de literacia política na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, ou de esforços por parte de escolas e associações de estudantes, para levar a discussão política ao espaço escolar, para acender essa chama na juventude, que se mostra cada vez mais descrente na política, e que exibe taxas de abstenção extremamente altas!

E quem fala de escolas fala de tantas outras instituições públicas e políticas. Dando a César o que é de César, a própria JSD na Madeira tem o projeto muito interessante de uma academia política, que ajuda exatamente a entender, falar e fazer política! E mesmo o próprio Bloco tem, no continente, o Fórum Socialismo. Precisamos de algo aqui também, e não apenas algo para militantes e simpatizantes, algo para todos, algo que democratize o acesso à aprendizagem política, algo que possa fazer um papel parecido ao do Parlamento dos Jovens, mas sem a necessidade da escola como intermediária.

Termino apelando a que procuremos conhecimento político, por mais difícil que seja. Enquanto a população geral não tem literacia política, e o desinteresse no tema apenas cresce, é o nosso papel cívico nos informarmos, não apenas para entendermos as conjunturas e movimentos políticos, do mais regional ao mais global, mas também para educarmos aqueles ao nosso redor. Não é perfeito, não é a solução final, não pode ficar por isto, mas são estas pequenas contribuições que podem gerar uma base para que mudanças maiores aconteçam! Há quem não queira que a política seja democratizada, há quem, inclusive, favoreça que este seja um conhecimento apenas existente na mão de poucos. Nós não somos nenhum desses “quem”: nós, no Bloco, lutamos para que todos entendam e participem na política, lutamos para que Abril se cumpra, lutamos por vocês!