Revolta da Madeira: memória de luta contra os fascismos de ontem e de hoje
A Revolta da Madeira iniciou-se a 4 de abril de 1931, envolvendo militares e civis que se opuseram ao regime saído do golpe de 28 de maio de 1926. O movimento, rapidamente conhecido como a Revolta das Ilhas, estendeu-se também aos Açores e contou com simpatias em várias regiões do continente. Os revoltosos reclamavam o regresso à legalidade constitucional e às liberdades políticas que haviam sido suprimidas pela Ditadura Nacional, antecessora do Estado Novo. Apesar de ter sido derrotado em poucas semanas, o levantamento ficou na história como a primeira grande tentativa organizada de derrubar o regime autoritário.
No comunicado divulgado esta manhã, o BE Madeira sublinha que a memória da Revolta deve continuar a inspirar a ação política e cívica. “A liberdade nunca é um dado adquirido. É preciso defendê-la diariamente contra todas as formas de intolerância e opressão”, refere o texto, que faz um paralelismo entre os combates do passado e os desafios democráticos do presente. O partido considera preocupante “o crescimento, dentro e fora do país, de movimentos extremistas que instrumentalizam o descontentamento popular para disseminar o ódio e atacar direitos fundamentais”.
O Bloco de Esquerda defende ainda que a Revolta da Madeira merece maior atenção no espaço público e nas escolas, como forma de fortalecer a cultura democrática. “É um episódio da história da Madeira e do país que exemplifica a força de quem recusou calar-se perante a injustiça e a tirania”, afirma a Comissão Regional, juntando-se às homenagens prestadas aos revoltosos que, em 1931, desafiaram o poder central em nome de uma sociedade mais livre e justa.
Para o partido, assinalar os 95 anos da Revolta significa também reafirmar compromissos com a democracia, a paz e a solidariedade. “A Revolta da Madeira permanece um legado de resistência e esperança”, conclui o comunicado, destacando que “a luta contra os fascismos de ontem e de hoje é parte essencial da identidade madeirense e do projeto democrático português”.