Bloco volta a denunciar crise habitacional na Madeira
Na sua intervenção, criticou aquilo que considera ser uma gestão contraditória dos recursos públicos. Para o dirigente, “não há verbas” quando se trata de investir em habitação ou apoiar famílias, mas, ao mesmo tempo, “gastam-se milhões na construção de campos de golfe”.
O responsável referiu-se, em particular, ao empreendimento previsto para a Ponta do Pargo, cujo orçamento inicial rondava os 20 milhões de euros e que, de acordo com informações recentes, poderá já ter alcançado os 50 milhões. Destacou ainda que, com cerca de 3 milhões de euros, foi possível erguer os 33 apartamentos situados atrás do local da iniciativa. “Se com 3 milhões se constroem 33 casas, quantas poderiam ter sido feitas com os 50 milhões consumidos pelo Campo de Golfe da Ponta do Pargo?”, questionou.
Teixeira reforçou que investimentos deste tipo pouco ou nada contribuem para o bem-estar real das pessoas: “Quantos madeirenses beneficiam verdadeiramente destes campos de golfe? Quem é que consegue dormir tranquilo por saber que, graças a um campo de golfe, tem garantido um teto no mês seguinte?”
O dirigente voltou a criticar o uso de financiamento público, incluindo verbas do Plano de Recuperação e Resiliência e da União Europeia, para projetos deste género. Defendeu que o campo de golfe nunca deveria ter sido suportado pelos contribuintes. “Este dinheiro devia estar direcionado para construir casas e apoiar rendas, não para alimentar obras de luxo”, afirmou.
Como solução, o partido propõe aumentar a oferta habitacional em toda a ilha, incluindo no Porto Santo, implementar limites às rendas e avançar com a recuperação de zonas degradadas, como o Bairro de Santa Maria. Teixeira alertou para o impacto do alojamento local no aumento dos preços, levando muitas pessoas a regressar à casa dos pais ou a depender de amigos. “É urgente controlar o alojamento local e garantir alternativas habitacionais”, sublinhou.
O dirigente concluiu reiterando a crítica à forma como o dinheiro público está a ser aplicado: “Isto é tratar os madeirenses com leviandade. Os recursos da região não podem continuar a ser despendidos desta forma".