Deslocado não tem descanso
Os custos da habitação no continente atingiram níveis incomportáveis. Nas principais cidades universitárias, os preços dos quartos e estúdios absorvem grande parte — ou mesmo a totalidade — das bolsas de estudo. A escassez de residências públicas agrava a situação, empurrando estudantes para um mercado privado inflacionado, onde a especulação dita regras. Para um jovem madeirense, a renda soma-se às despesas com alimentação, propinas, materiais e, de forma particularmente significativa, às viagens aéreas, que continuam a representar um encargo inevitável e recorrente.
Mas as dificuldades começam ainda antes da partida. Também na Região Autónoma da Madeira o aumento do custo da habitação pressiona os orçamentos familiares, reduzindo a capacidade de apoiar financeiramente os filhos que precisam de estudar fora. Muitas famílias enfrentam prestações elevadas ou rendas cada vez mais altas, num contexto de salários que não acompanham o aumento do custo de vida. A crise da habitação é, assim, um obstáculo duplo: afeta quem fica e quem precisa de sair.
Acresce ainda a distância física e emocional. Estudar fora implica adaptação a uma nova cidade, afastamento da rede familiar e custos acrescidos sempre que se pretende regressar a casa. Para estudantes insulares, a mobilidade não é apenas uma questão académica — é também uma questão de coesão territorial e de justiça social.
Estudar não pode ser um privilégio reservado a quem tem meios económicos. A condição insular não pode traduzir-se numa penalização acrescida. Garantir mais residências públicas, reforçar a ação social escolar, regular o mercado de arrendamento e assegurar apoios efetivos à mobilidade aérea são medidas essenciais para que nenhum jovem madeirense abdique da sua formação por falta de recursos. A igualdade de oportunidades exige respostas concretas e urgentes.