Para o PS os monopólios são para acabar ou para continuar?

De passagem pela Madeira, a ministra do Mar deveria esclarecer os madeirenses sobre os motivos da sua mudança de atitude em relação ầ ligação ferry. Durante muito tempo desdenhou da necessidade desta ligação, não lhe reconhecia utilidade pois a continuidade territorial estaria satisfeita em pleno pela via aérea.
Depois da adjudicação ao grupo Sousa do concurso promovido pelo Governo Regional para efetuar um pacote anual de 12 viagens por 3 milhões de Euros, tivemos um volte-face: a ministra do Mar passou a mostrar abertura para apoiar a ligação ferry, esteve presente em Portimão a 10 de julho numa recepção oficial e visita ao navio, numa cerimónia para celebrar um acontecimento para o qual em nada contribuiu.
Agora veio à Madeira reafirmar que o Governo central está a estudar as modalidades de apoio a esta ligação. O Bloco de Esquerda gostaria que esta mudança de posição fosse esclarecida e em que medida o facto de o grupo Sousa ter sido o escolhido pelo Governo Regional para explorar a ligação contribuiu para tamanho volte-face.
A ministra do Mar foi confrontada em vários momentos sobre a ligação ferry pelo Bloco de Esquerda na Assembleia da República, mostrou total desinteresse pela ligação, quer pelas denúncias sofre os obstáculos artificiais criados pelo Governo Regional e que levaram ao fim da operação da Naviera Armas em 2011. Usou nas suas respostas os mesmos argumentos ventilados pelo Governo Regional e pelo grupo Sousa, da fraca sustentabilidade da ligação e da concorrência desleal que o ferry teria feito aos porta-contentores.
A ministra veio participar num evento do PS sobre a economia do mar, algo que é tão fundamental para a Madeira e neste âmbito o que os madeirenses aguardam são mudanças com a herança do PSD: o fim do monopólio na exploração do porto do Caniçal e no transporte marítimo de mercadorias. Os sinais que vemos do PS não são de mudança, mas sim de continuidade da mesma política do PSD de subserviência aos interesses privados, de continuar a proteger o monopólio que asfixia a economia regional e encarece o custo de vida dos madeirenses.
Nas ligações aéreas para a Madeira vemos o PS a exigir maior concorrência, mas nas ligações marítimas não vemos essa exigência, o PS não vê necessidade de concorrência no transporte de carga, mostra-se confortável com a situação atual de monopólio.