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Guida VieiraTenho defendido ao longo da minha vida de activista pelos direitos da Mulher que é preciso mais respeito para com as suas reivindicações em todas as áreas da sociedade. A existência da violência doméstica, nas suas variadas formas, é a forma mais cruel dessa falta de respeito assim como as situações de precariedade, pobreza e atraso cultural. Quando em 1857 as mulheres costureiras de Nova Yorque decidiram lutar, enfrentando as mais horriveis condições, escreveram para sempre na história a sua luta para melhorar as nossas condições de vida e de trabalho. Tudo o que fizemos depois foi continuar a luta que elas iniciaram. Pena é que quem governa este Mundo, este País, esta Região e as Empresas, ainda não tenha entendido que, sendo as Mulheres a maioria da Humanidade, deveriam também ser elas a maioria nos lugares de decisão, o que não acontece. Basta ver as estatísticas da representação feminina nos lugares de decisão, por exemplo desta Região, para concluir que temos uma única mulher no governo, nenhuma a dirigir C. Municipais e poucas no Parlamento. O meu apelo às mulheres que hoje estão a comemorar este dia é para que não esqueçam que ele só existe porque houve mulheres que lutaram. Podem utilizar as formas de comemoração que quiserem, mas por favor, em todas essas actividades dignifiquem a mulher e não caiam na armadilha, de imitar o que de pior existe na sociedade, pensando que se estão a emancipar. Vamos fazer-nos respeitar, "porque nós merecemos"! Assim como as mulheres precisam de se respeitar e ser respeitadas, a natureza que nos rodeia também. O que aconteceu no dia 20 de Fevereiro, para além de demonstrar que com os fenónemos naturais não se brinca, abriu-nos mais os olhos para compreendermos que essa de vivermos num "cantinho do céu" foi chão que já deu uvas. Perante as imagens da enxurrada, que escorreu das serras para a cidade, há várias questões que se levantam e não precisamos, de ser técnicos especializados, para perceber que há muita coisa que está errada nesta Terra. Já o disse nos últimos anos e várias vezes, no Parlamento, na Assembleia Municipal do Funchal, na intervenção cívica e partidária, que os Governantes desta terra brincavam com a natureza. Numa das respostas ouvi mesmo o Dr AJJ dizer, a propósito da crítica em relação às infraestruturas mar adentro, que ele ia conquistar o mar. Viu-se!
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O Bloco de Esquerda esteve na quinta-feira junto à ribeira dos Socorridos para chamar a atenção para a necessidade de não haver intervenção humana naquele local. Segundo Fernando Letra, o recente temporal que ocorreu na Madeira é um bom exemplo do que não se deve fazer junto às ribeiras. O deputado municipal do BE-M na Assembleia Municipal do Funchal reprovou, por isso, o Plano de Urbanização da Ribeira dos Socorridos, aprovado em Janeiro pela Câmara Municipal funchalense, e que permite a uma empresa de construção o uso indiscriminado de terrenos que naquela zona adquiriu a um preço muito baixo, uma vez que aquela zona está inscrita no PDM como zona verde urbana e de lazer. Até porque, refere, depois de “tudo estar urbanizado” tem a certeza de que irão para aquela zona os chamados “patos bravos” que vão querer afunilar a ribeira como fizeram às do Funchal, para construirem o que quiserem sem qualquer plano ou segurança. “E depois acontece o que aconteceu no dia 20 de Fevereiro”, alertou.
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 O Coordenador da Comissão Política Nacional do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, esteve hoje na Madeira onde visitou algumas das zonas mais afectadas pelo temporal que assolou esta Região no passado dia 20. Após passar pelas zonas mais fustigadas, e onde se perderam vidas, nos Concelhos do Funchal e Ribeira Brava, Francisco Louçã louvou o trabalho da Protecção Civil e demais entidades que estiveram envolvidas no socorro às vítimas e na limpeza das localidades atingidas. Louçã disse esperar que a reconstrução seja "célere e sem erros" e que haja "rigor nas verbas aplicadas nessa reconstrução".
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Roberto Almada Enquanto escrevo estas linhas, ouço através da rádio o relato da descoberta de mais corpos nos escombros e nas derrocadas que assolaram a Madeira. Perante a dimensão desta tragédia, com a lamentável perda de vidas humanas, há que acudir aos vivos e actuar numa perspectiva de apoiar quem precisa de recuperar os seus haveres. O tempo é de limpar e reconstruir o que a fúria da tempestade destruiu e de respeitar a memória de todos quantos, infelizmente, perderam a vida e o luto dos seus familiares. Contudo, não posso calar a revolta que me vai na alma. Mesmo correndo o risco de ser acusado de "aproveitamento político" - e não pretendo retirar qualquer proveito desta tragédia! -, enquanto dirigente político eleito pelas populações cujos direitos devo defender, tenho que relembrar os erros cometidos ao nível do estreitamento das ribeiras, das construções em cima das linhas de água, da extracção descontrolada de inertes a montante e demais situações que contribuíram para agravar uma tragédia que, não podendo ser evitada, poderia ao menos ser minorada.É incrível a mentira, que tantas vezes repetida, parece ser verdade. Disse o Presidente do Governo que se não tivesse sido efectuada a canalização das Ribeiras as consequências teriam sido piores. Mas julgam que somos todos burros? Não é preciso ser especialista para saber que a redução para metade da largura dos leitos de algumas ribeiras e a canalização estranguladora desses leitos são factores que contribuíram para aumentar a força das águas e a devastação da cidade. É evidente que a quantidade anormal de precipitação que ocorreu no passado sábado causaria, mesmo numa situação de exemplar ordenamento do território, uma enorme catástrofe. Contudo, parece evidente que todos estes erros potenciaram e agudizaram as consequências mortais desta verdadeira calamidade e, doa a quem doer, há que verificar se existiu negligência humana em toda esta tragédia. Para isso, é fundamental a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no sentido de apurar responsabilidades, pois a culpa não pode, como é hábito nesta terra, voltar a morrer solteira. |
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